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As enchentes deixarão feridas na alma


Após um período de pandemia pelo coronavírus, temos testemunhando cada vez mais manifestações trágicas de um caos climático que afeta o planeta. Podemos afirmar que cerca de 50-75% da população global está exposta a algum tipo de tragédia climática, como tempestades, enchentes, seca e ondas de calor. Todas estas flutuações caóticas do clima são resultado de um processo contínuo e antigo, no qual as ações humanas têm sido determinantes, seja promovendo a destruição de florestas e perda da biodiversidade, seja alterando a composição atmosférica por meio da emissão de poluentes.


As enchentes que assolam o estado do Rio Grande do Sul refletem este patamar de completo desequilíbrio climático. A população gaúcha já está enfrentando e ainda irá enfrentar por tempo indeterminado profundas perdas de recursos materiais, crise na produção agrícola, falta de água potável, doenças epidêmicas e um enorme abalo em sua saúde mental. O cenário de perdas materiais e falta de recursos básicos só não é mais desolador do que as incontáveis mortes e o elevado número de pessoas ainda desaparecidas.


Estamos vivendo o fim dos tempos? Segundo a visão cristã, prevista pelas Escrituras Sagradas, todos estes fenômenos naturais são o prenúncio de um fim que se aproxima. Pandemias, guerras, tragédias climáticas são nuances deste final que ainda tem sido subestimado pela humanidade. A ganância humana é, inevitavelmente, causadora de muitas tragédias climáticas e, como tudo na natureza, em algum momento a fatura chega.


A questão contraditória em tudo isto é que o ser humano está fazendo mal a si mesmo. A medida que a ganância humana avança, as tragédias climáticas aumentam , ou seja , o ser humano está cavando sua própria cova e ainda pensa que tem o controle da situação.

As enchentes no Rio Grande do Sul não inundaram somente casas, ruas e hospitais. Inundaram a mente das pessoas, deixando sequelas irreparáveis. Recentemente alguns pesquisadores criaram novos termos para representar esta situação: “emoções climáticas”, “ emoções ecológicas”, “eco-emoções“ e “síndrome psicoterratica”.


As eco-emoções não são puramente emoções, são estados mentais que refletem pensamentos, comportamentos e mudanças de estilo de vida. A síndrome psicoterratica representaria as condições mentais relacionadas ao planeta Terra, ou seja, sensações ou comportamentos resultantes das tragédias climáticas que afetam nosso planeta.


De uma forma mais objetiva, as eco-emoções e a síndrome psicoterratica podem ser expressas por muitas situações críticas, que certamente farão parte de uma nova condição mental pós-enchentes no Rio Grande do Sul. Vejamos algumas situações:


1. Estresse por mudanças ambientais e logísticas

O cenário pós-enchente será marcado por maior pobreza, maiores taxas de violência ( uma luta desigual por sobrevivência), condições precárias de moradia, desajustes nos transportes e problemas de suprimento básico.


2. Eco-culpa e eco-vergonha

Estas duas sensações indicam que as pessoas começarão a revisitar coisas passadas, embora isto não consiga mais mudar a tragédia que se estabeleceu. De qualquer forma, pessoas com eco-culpa se punem por eventuais atitudes que possam ter favorecido o colapso do meio ambiente. As pessoas com eco-vergonha carregam um sentimento de remorso por eventualmente terem feito mal a si próprio e a outras pessoas.


3. Eco-ansiedade e eco-depressão

O sentimento de ansiedade é fruto de experiências traumáticas e gera um medo crônico em relação a eventos futuros. Imagine como fica a cabeça das pessoas , que já perderam entes queridos e bens materiais nestas enchentes do Rio Grande do Sul, a cada previsão meteorológica de novas chuvas. Todo aquele cenário de terror volta à mente, causando diversas manifestações orgânicas. Eco-depressão nada mais é do que a sensação de tristeza ao assimilar o sofrimento e a dor pelas perdas humanas e materiais.


4. Eco-burnout

O impacto mental das imagens e informações sobre a tragédia climática no Rio Grande do Sul afeta o equilíbrio mental de qualquer pessoa. Esta excessiva comoção atinge tanto as pessoas que estão no cenário da tragédia como também aquelas que estão acompanhando por redes sociais, rádio e televisão . Este fato é muito semelhante ao que vivemos na fase crítica da pandemia do coronavírus, quando os canais de comunicação mostravam inúmeras valas abertas para receber os mortos.


5. Eco-nostalgia

Após a tragédia climática, as pessoas tendem a vivenciar um estado de melancolia, devido às lembranças de como eram as coisas, o ambiente físico e os relacionamentos, antes do caos se estabelecer.


Muitas vidas já foram ceifadas e outras perdas infelizmente ainda serão contabilizadas, visto que muitas cidades do Rio Grande do Sul permanecem submersas. A ausência de muitas pessoas e a completa inundação das cidades nos faz crer que muitas pessoas serão resgatadas sem vida nos próximos dias. Soma-se a este calvário as perdas materiais básicas e o desespero quanto ao futuro. Como suportar tamanha pressão emocional e lidar com traumas, emoções, sensações que permanecerão por longo tempo na mente dos sobreviventes? As enchentes destruíram bens materiais e deixarão feridas abertas na alma. Que as autoridades, corporações, sociedade civil possam conjuntamente dar respaldo psicológico as estas pessoas e tentar, de alguma forma, atenuar este calvário. Bens materiais são recuperáveis, feridas na alma podem ser eternas.

 
 
 

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